Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

O Velho Cemitério

 

Dessa vez era pra valer. Zak não podia dar pra trás. Da última vez em que foi ao cemitério abandonado no alto da colina, saíra de lá com as pernas bambas. Jurava ter ouvido arranhões nas catacumbas ridiculamente envelhecidas e emboloradas mais ao fundo. Zak sempre evitava passar em frente ao cemitério desde então, sempre o evitava de uma forma sutil, mudando levemente sua rota, evitando o olhar, ou "se lembrando" de algo que esqueceu em sua casa. Mas após esta noite, tudo seria diferente, Zak seria aceito na gangue. Era tudo que Zak precisava, ser aceito. Zak sempre foi um excluído, perdera os pais bastante cedo, em um terrível acidente de trânsito. Fora morar com os tios, no subúrbio, e a costumeira revolta juvenil aflorara, passou a cabular aulas, só parava em casa para dormir, quando dormia. Passara a frequentar locais onde "pessoas do bem" não frequentavam. Ia à festas noturnas que banhadas a alucinógenos e deus sabe lá o que mais.

 

Mas agora, era só ele e o velho cemitério. O teste para entrar na tal gangue, o exame final. Deveria entrar, ficar por mais ou menos meia hora, escrever seu nome com spray em alguma lápide, marcando-a como dele, e pronto, bem vindo ao clube. Mas o maldito cemitério, onde os mais antigos dizem que sempre fora símbolo de mau agouro, estava entre ele e seu objetivo final. Desde 1840, o local servia como cemitério de escravos, só deus sabe quanta dor e sofrimento foram enterrados lá. Mais tarde, durante a Guerra da Secessão, defuntos indígenas era atirados em valas abertas no meio do cemitério, tendo seu campo espiritual negado. A partir daí, o local ganhou a fama de mal assombrado. Pessoas estranhas o visitavam de madrugada, cânticos nefastos podiam ser ouvidos em meio a uivos sombrios nas noites de Beltane. Ah, algo de ruim acontecia ali, era claro como a água. O antigo sacerdote, Reverendo Murphy dizia que era a família Clark, que viera há muito de Salém, mas se recusavam a largar "velhos hábitos". Sempre fazia o sinal da cruz quando os mencionava, como que se lembrando de algo que não deveria ser lembrado.

 

Tempos passados, esqueletos enterrados. Hora de Zak entrar no cemitério. Zak havia se convencido na última semana que os tais ruídos que ouvira da última visita ao antigo cemitério não passaram de devaneios, talvez induzidos por alguns de seus entorpecentes. Ele levara consigo também um rádio, e um par de fitas K7, com rockabilly e Smiths. Seria seu alívio, o ajudaria a suportar os trinta minutos de tensão.

O portão do cemitério estava pendurado, na diagonal, seguro por apenas alguns parcos parafusos, prestes a virem ao chão a qualquer momento. A última coisa que Zak queria era o barulho infernal do pesado portão de barras de ferro enferrujadas e carcomidas se estatelando em plena madrugada, toda cidade ouviria, mesmo estando no topo da colina. Haviam muitas velas iluminando o lado externo, muitas pessoas acendiam velas para os mortos, um modo de iluminar os caminhos dos que já partiram. Zak apanhara uma das velas, botara sobre seu rádio, usando a cera quente como uma cola para unir vela e aparato. Passara primeiro o rádio pelo portão, o posicionando sobre um pequeno gramado, logo depois, Zak se contorcia para passar despercebido pelos débeis parafusos vigias. Fora bem sucedido, Zak agora estava dentro do cemitério, rodeado por lápides antiquíssimas, com nomes há muito apagados, armações de madeira que precarimente lembravam cruzes, ou símbolos mais estranhos, mas com certeza, eram cruzes, seus formatos alterados pelo passar dos anos. Mais ao fundo, as criptas, esverdeadas pelo limo, deformadas pelo tempo. Com suas escadas empoeiradas e decrépitas indo para as entranhas do cemitério. Não, lá Zak não ousaria entrar, o combinado não era esse, e Zak logo trata de pensar em coisas mais suaves, seus braços e nuca já começavam a se arrepiar.

Tumbas sem nome, tumbas violadas, esqueletos parcialmente inteiros, cruzes em um arremedo religioso. Zak estava quase lá, haviam se passado pouco mais de 10 minutos, e uma de suas fitas estava trocada por lições de francês, suas fitas sempre se confundiam com as de sua prima. Seu nome já estava escrito na lápide mais ao leste, colada à cerca desmantelada, era só esperar...esperar...

Prestes a mudar a fita de francês, Zak quebra o som meloso dos verbetes francos e consegue ouvir passos do lado de fora do cemitério. Seus amigos, talvez? Zak vai para a cerca e olha para a ladeira que sobe pela lateral do cemitério e vê pessoas subindo, mas não eram seus amigos. Pessoas encapuzadas, por volta de meia dúzia delas, incensários em suas mãos, se agitando contra o vento da madrugada, embalados pelo moroso ritmo de seus braços. O cheiro dos incensos já alcançara o cemitério, e o odor não era nada bom, lembrava uma casa abandonada, tomada por bolor e fungos indesejados, o que diabos estavam queimando? Alguns carregavam lamparinas, outros, livretos pressionados contra o peito. Subiam em total silêncio, quebrado algumas vezes pelo farfalhar das brasas dos incensários.

Zak entrara em pânico, não havia outra rota de fuga, e era claro que estavam vindo para o cemitério, estavam a poucos metros, e não havia nenhum outro lugar para se ir na maldita colina. Tratou de apagar a vela sobre o rádio, o pôs sob o braço e correu, atrapalhado pelas vinhas e raízes de árvores inexistentes, corria de modo atrapalhado, por diversas vezes se equilibrando com dificuldade. Corria em direção às criptas, seu sentido de auto-preservação falara mais alto, havia mandado o medo das criptas às favas. Os metros até as construções insólitas transformaram-se em milhas, maldita adrenalina. Zak olhara para trás a tempo de ver que um dos encapuzados já se encontrava no interior do cemitério, deviam saber de alguma outra entrada mais rápida e prática, pois não utilizaram o velho portão. Desesperado, Zak se arremessa escada a baixo, batendo de cabeça na pesada porta de ferro da cripta, produzindo um som maciço. Som esse, tendo passado despercebido pelos presentes ou ignorado. Com o golpe, a pesada porta se abrira, e Zak se esgueirou para dentro. Como ele gostaria de sentir o cheiro dos incensos de novo, pareciam um campo de morangos em plena época comparados ao odor da negra tumba. Recusou-se a olhar para o interior da mesma, se restringiu a somente olhar pela fresta da porta, esperando o momento exato de fugir. Os incensários foram apagados postos ao redor do círculo que os encapuzados agora criavam, as lamparinas revelando a cor vinho amarronzada de seus robes foram posicionadas sobre lápides e cabeças de tumbas mais elevadas. Um encapuzado de forma mais esguia se locomovia, se dirigia para o centro do círculo, o cheiro do incenso agora tomava conta de todo o cemitério, e se misturava miseravelmente ao odor da cripta. O encapuzado no centro se movia de modo ritmado, conforme os presentes entoavam um cântico bizarro, em um dialeto ainda mais estranho. Zak nunca havia ouvido tal idioma, mas lhe dava calafarios, eram urros, semi palavras, interrompidas por estalos guturais, mesclados outrora por um inglês estranho que Zak se pegara balbuciando por noites de pesadelos sem fim após esta. As palavras que Zak falava em seus pesadelos febris, eram:"IÄ! IÄ! Shub-Niggurath! A cabra preta da floresta com mil crias!IÄ! IÄ! Shub-Niggurath!"

Os encapuzados se moviam de modo arqueado, quando o encapuzado do centro se revelou ser uma encapuzada...grávida! Os cânticos agora ficavam frenéticos, Zak se encolhia dentro da cripta, tremendo em pavor ao ver que a mulher se deitara sobre uma tumba em posição de parto. Uma pontiaguda faca curva brilhava sob o luar, e descera violentamente sobre o ventre da gestante. Zak virara o rosto, como que se esquivando instintivamente do distante jato de sangue. Os cânticos urrados agora possuíam uivos, uivos que vinham, para o pavor de Zak, do interior da barriga da mulher. Os encapuzados dançavam uma dança bizarra, e a mulher se contorcia e urrava conforme um dos homens de capuz introduzia as mãos em seu interior. Zak sentiu as raízes mortas tremerem sobre ele, um pedaço do que seria um cordão umbilical fora atirado para dentro de um dos incensários, guinchando como um filhote de rato. Maldita família Clark, então era isso que faziam no cemitério nas madrugadas. O homem retirou um feto, não dava para ver coo era, estava longe, e sua visão estava embralhada, Zak habia vomitado, e sua cabeça girava como um peão. Os urros diminuíram, e a mulher fora removida da tumba. Um pequenino caixão aparecera, até então, tal artefato não havia se mostrado, e em seu interior, fora posicionado o feto, inacreditavelmente vivo, pois agitava os braços e pernas assimétricas, de bizarra coloração almiscarada agora sob a luz das lamparinas, e ainda uivava macabramente. Fora fechado o caixão e posto dentro da tumba que servira de maca. A criança deformada arranhava o caixão, remetendo ao mesmo arranhar que Zak lutara tanto para se esquecer, e que agora ouvia por toda cripta, como que em resposta ao recém enterrado.

Os homens fecharam a tumba, a mulher, amparada pelo grupo agora descia torpidamente a ladeira, agora entoando morosamente palavras emboladass, como que enebriada pela dor grotesca que se alojava em seu ventre brutalmente violado. Zak se levanta, pernas bambas a o guiarem para fora da cripta ensurdecedora, os arranhões e uivos pareciam vir de pequeninos caixões chacoalhantes no interior da decrépita edificação. O cemitério estava agora entregue à escuridão, e manchas de sangue já coagulados jaziam pelo chão, narrando uma história profana. Árvores mortas chacoalhavam como que se regozijando com o evento, sacolejando ao balançar de ventos imperceptíveis, por algumas vezes, pareciam possuir vida própria. Ao passar atônito ao lado da lápide berço, percebera que era a lápide com seu nome. Pobre Zak, não suportou, e desabou.

Fora encontrado dias depois, inundado por uma febre absurda nos arredores da colina. Na semana seguinte, no hospital da cidade, ainda febril e com a pior dor de cabeça que já tivera, Zak acorda. Sua família estava lá, tios e primos o olhavam com estupor, Zak falara, e muito, de acordo com relatos pavorosos de seus entes, enquanto estava enfermo e delirante na última semana, coisas que somente deveriam ficar presas naquele cemitério, junto aos escravos, índios, e lápides desconhecidas. Mas uma delas tem um nome, e em seu interior, algo ainda uiva nas noites de lua cheia, as mesmas noites de lua cheia em que Zak acorda arranhando as paredes de seu quarto balbuciando palavras de horror primitivo.


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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

Canção do Oceano

 

Sob os penhascos, perto dos troncos apodrecidos, na beirada entre areia e água, algo impossível acontece. Um homem aparece, de pé, sobre o mar. Seu rosto é impossivelmente puro. Seus olhos estão fechados. Não sei como, mas ele olha pra mim.
"Quero te deixar com medo," ele diz. Sua mão se fecha. Valas e fossos se abrem na areia. A praia sob mim, balança e então, repousa.
O cheiro do mar vai embora. As ondas se jogam contra a costa, mas seus sons não mais existem.
Quero correr. Mas não me atrevo. Quero dizer pra ele que sou só uma pessoa comum.
"Quero que você entenda que podemos lhe trazer dor a qualquer momento que desejarmos."
Minha língua se dissolve. Sangue inunda minha garganta.
"Se eu tiver tempo, vou matar você."
Então algo muda.
Um milagre corre através de mim como água corrente, e caio de joelhos. Por um momento, não posso sentir mais nada; compreender mais nada; pensar em mais nada. Só posso sentir as marés da mudança lavarem minha alma.
Não poderia ter entendido a maravilha disso antes deste momento. Ele faz com que as alegrias e tristezas de minha vida pareçam transparentes e vazias. Ele soa mais alto do que qualquer sino e queima mais forte do que o sol. É mais bonito que o mar, e bem mais exigente.
Minhas mãos correm pela areia e conchas. Minha mente pulsa para frente e para trás, em um momento contemplando o prodígio que se move dentro de mim, em outro momento, lutando para fugir. Temo que isto possa me engolir, me puxar como a corrente marinha, me revirar e me deixar preso dentro deste milagre pelo resto de minha vida.
Então ele se ergue e toca o que resta do meu eu antigo.
Meu corpo está doente, vomitando água salgada. Existem pedaços de algas marinhas saindo de mim. O homem vem em minha direção, e agora ele segura uma arma em sua mão. Não faço idéia do por que ele precisa dela. Acho que eu gostaria de viver, mas é difícil me focar nisso.
Por todo o mundo, pessoas falam. Carros buzinam. Coisas fazem barulho, lançam suas vibrações pelo ar. Não posso ouví-las, mas as conheço. Conheço cada uma conforme se elevam e morrem. Conheço os urros do oceano e as águas saltitantes de todo lago.
Meus braços estão muito fracos para me levantarem. Meus dedos do pé estão gelados. Tenho uma dor de cabeça.
Não preciso de meus braços, dedos ou minha cabeça. Só preciso olhar dentro de minha alma e descobrir que tenho inúmeros corpos. Posso cavalgar os trovões e dançar nas vibrações de uma fuga de Bach. Cada onda que corre por este mundo, é minha; e o milagre não para por aí. Eu sou elas!
Anseio por um momento. Eu me tornei - não tenho nome pra isso. Me tornei a essência, a composição, o espírito da onda. Não posso imaginar domínio maior; não desejaria comandar o Tempo, ou Amor, ou o próprio cosmos. Cada onda que percorre o mundo é minha.
A arma dispara.
Por um momento, vivo nas notas da flauta de um jovem homem, cada uma delas, uma vibração própria. Por trás destas notas, começo a ouvir uma música mais profunda.
Me espanto. Todos esses anos, o universo vem cantando seus segredos e verdades para mim, e eu simplesmente falhei eu ouvir. Não tento clamar esta música; ela transcende o que me tornei. Somente abro meu espírito e ouço.
Cinco vibrações, em harmonia e dissonância. Do céu chove a verdade do Firmamento. Ouço anjos cantarem sobre justiça, beleza e respeito. Suas canções não possuem resposta para uma bala, mas ela nem mesmo precisa de uma. "Você precisa ter a força para encontrar sua própria resposta para isto," ela diz, "pois se você não pode criar justiça, qual seria o seu valor?"
Das profundezas, ferve a canção do Inferno. Ouço os caídos pregarem seus refrões ríspidos de sofrimento, corrupção e poder. "Você está deitado indefeso na praia com um inimigo mortal," eles me dizem, "e somos a única resposta que você encontrará. Sirva ao sofrimento, e não temerás sofrer. Sirva a corrupção, e se deleite em sua degradação." Parece tolo para mim, uma tola tentação; mas então, uma voz exótica adiciona palavras ao coral. Por um momento eu vejo, áspera como a areia contra meu rosto a terrível virtude de suas causas.
Ouço o chamado da Natureza por liberdade e loucura. Inexorável e vasta, sua canção ecoa pelo mundo: nunca dê as costas para as verdades interiores. "Você não precisa de nada, só de si mesmo," ela diz. Os infinitos choques das ondas em meu coração concordam.
Duas vibrações se erguem dos humanos ao meu redor: uma clara e outra escura, uma pregando salvação da humanidade, a outra, seu suicídio. Eu as ignoro. Encontrei minha verdade.
A bala atinge minha cabeça.
Por um momento, sinto uma dor cegante. Então a onda se ergue e a engole. Me ergo.
"O que é você?" Pergunto para ele. Ele atira novamente; desta vez, me movo, saindo graciosamente para fora do caminho. "O que eu sou?"
"Vivo fora das coisas do mundo," ele responde. "Sou Omega: o término de sua existência. Da existência de tudo. Só preciso estender minha mão, e assim desejar."
Uma onda se ergue, pronta para arrebentar contra a praia. Ela se dissolve em um instante em água parada. Sinto sua morte de modo visceral, horrível, com uma reviravolta em meu estômago. A onda após essa também morre, e a próxima, como dominós caindo. O mar se revolta, inconfortável, se retorcendo contra os limites do alcance dele.
"Quero que saiba que isto é a medula de seus ossos. Quero que você compreenda que não pode nos opôr. Por esta razão, eu vim, e lhe trago dor."
Por um longo momento, acredito nele.
"Tenho uma língua novamente," eu digo, "e sua bala não me matou."
Seus olhos se abrem, negros como a noite. Uma estrela cai através deles. "Estranho," ele diz, "como humanos precisam somente de uma amostra de poder para tornar-sem arrogantes. Você caminha em um mundo de coisas maiores do que pode imaginar, e você ainda se atreve a desacatar."
Concordo com a cabeça.
Ele guarda sua arma. "Você tem muitas coisas que ama," ele diz. "Lembre-se, quando chegar a hora de nos enfrentar, que elas não são imortais."
Penso em todas as coisas que amo. Ela me chamam, embora de modo mais suave do que as ondas. Eu afundo aquele amor, o afogo em meu coração, e ele ainda volta à superfície: amigos, família, meu lar, minha arte.
"Farei o que for preciso," eu garanto a ele. Não sei exatamente o por que, só sei que ameaças não podem me deter.
Sua expressão se mostra claramente irritada, e ele parte.
Olho novamente para o oceano. Uma película se ergue de meus olhos, ou os cobre; não sei diferenciar. Vejo os grandes e poderosos espíritos das águas, e as verdades brilhantes no coração das gaivotas. Ouço os sussurros sem sentido dos infinitos grãos de areia, e vejo cada face exaltada das ondas conforme quebram contra à costa.
Ergo as mãos e capturo uma, uma jovem e brilhante onda formada segundos atrás pelos padrões do mar. A seguro em minhas mãos, e ela se acalma, esperando pelo meu desejo.
Eu falo, percebendo que enquanto o faço, que esta é a coisa mais maravilhosa possível de se imaginar:"Eu sei o seu nome."

 


publicado por undercover às 03:58
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