Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

Uma Restauração de Fé - Parte 2/4

 

 

 

Ela chegou primeiro na ponte, uma antiga ponte de duas vias que se arqueava sobre o rio Chicago e se arremessou em direção a ela.

"Espera!" gritei atrás dela. "Não!" Ela não conhecia essa cidade como eu conheço.

"Babaca," ela devolveu, sua voz parecia cheia de energia. Ela continuou correndo.

E ela continuou assim até que um grande, viscoso e peludo braço se esgueirou por debaixo da tampa de bueiro no meio da ponte e enrolou seus escorregadios dedos em um de seus tornozelos. A menina gritou em súbito terror, se esborrachando de frente no asfalto e arranhando a pele de ambos os joelhos. O sangue formava manchas escuras em suas meias sob o brilho das poucas luzes funcionais dos postes.

Xinguei baixinho e investi em direção a ela, pulmões saindo pela boca. A mão se apertou, e começou a arrastá-la de para o boeiro. Eu podia ouvir uma profunda e crescente gargalhada vindo das trevas no buraco que ia para baixo da sub-estrutura da ponte.

Ela gritou, "O que é isso, o que é isso? Faz isso me soltar!"

"Garota!" gritei. Corri em cireção ao bueiro, saltei e aterrissei o mais pesado que pude sobre o braço peludo, bem no pulso, o solado de ambas as botas esmagando a carne suja.

Uma barriga surgiu do bueiro, e os dedos afrouxaram. A garota virou a perna, e acho que isso custou a ela um de seus caros Oxfords e um pé de meia, ela se arrastou para longe das garras, soluçando. Eu a peguei e recuei, não seria idiota de dar minhas costas para o bueiro.

Não era pro troll ser capaz de se espremer para fora de um buraco tão pequeno, mas ele o fez. Primeiro veio aquele braço sujo, seguido de um ombro encaroçado, e então sua cabeça mal formada e rosto hediondo. Ele olhou para mim e rosnou, saido do bueiro com uma facilidade viscosa, até ele ficar no meio da ponte entre eu e o outro lado do rio, como um lutador profissional de luta-livre que fora vítima de um cirurgião plástico por correspondência. Em uma mão, ele segurava um enorme cutelo, com uma lâmina de aproximadamente sessenta centímetros, com um cabo de osso e manchas marrom escuras muito suspeitas.

"Harry Dresden," o troll roncou. "Mago nega Gogoth de sua presa por direito." Ele balançou o cutelo para a esquerda e para a direita. A arma soltou um pequeno assovio conforme mutilava o ar.

Ergui minha cabeça e afirmei meu queixo. Não é muito inteligente deixar um troll ver que você está com medo dele. "Do que você está falando, Gogoth? Você sabe tanto quanto eu que mortais não fazem mais parte do jogo. O Acordo Unseelie estabeleceu isso."

A cara do troll se contorceu com olhar realmente maligno. "Criança bagunceira," ele rosnou. "Criança bagunceira ainda é minha." Seus olhos se apertaram, e começaram a arder com uma fome maliciosa. "Dá! Agora!" O troll avançou alguns passos em direção a mim, adquirindo uma vantagem momentânea.

Levantei minha mão direita, forcei um pouco de vontade, e o anel de prata sobre meu terceiro dedo brilhou com uma clara luz frígida, mais brilhante do que a iluminção em volta da gente.

"Lei da selva, Gogoth," eu disse, mantendo minha voz calma. "Sobrevivência do mais apto. Você dá outro passo e vai parar na categoria 'muito idiota para viver'."

O troll rosnou, não diminiu a passada, e levantou um punho brutal.

"Pense bem, criatura das trevas." rangi os dentes. A luz emanando de meu anel assumiu um tom diabólico, quase nuclear. "Mais um passo e você vira vapor."

O troll exitou, e seus lábios emborrachados cor de limo se afastavam de presas fétidas. "Não," ele roncou. Saliva escorria de suas presas e se esborrachava no asfalto enquanto ele encarava a menina. "Ela é minha. Mago não pode interferir nisso."

"Ah é?" eu disse. "Então, olha." E com isso, baixei minha mão (junto com a intimidadora luz prateada), dei ao troll meu melhor olhar intimidador, e com estilo, virei meu guarda-pó escuro para voltar para a Avenida Norte com passadas longas e confiantes. A garota olhava por sobre meu ombro, olhos arregalados.

"Ele está vindo atrás da gente?" perguntei baixinho.

Ela olhou para o troll, e então, para mim. "Uh, não. Ele tá só olhando pra você."

"Ok. Se ele começar a andar, me deixe saber."

"Pra você pode vaporizar ele?" ela perguntou, sua voz, trêmula.

"O diabo que eu vou. Aí a gente corre."

"Mas e sobre...?" ela tocou o anel em minha mão.

"Menti, garota."

"O que!?"

"Menti," repeti. "Não sou um bom mentiroso, mas trolls não são muito espertos. Foi só um show de luzes, e ele caiu, e é isso que importa."

"Pensei que você tinha dito que era um mago," ela me acusou.

"Eu sou," respondi, contrariado. "Um mago que estava em uma assembléia-barra-exorcismo antes do café da manhã. Então tive de encontrar dois anéis de casamento e um par de chaves de carro, daí passei o resto do meu dia correndo atrás de você. Tô acabado."

"Você podia explodir aquela...aquela coisa?"

"Era um troll. Claro que eu poderia," eu disse, orgulhoso. "Se eu não estivesse tão cansado, e se fosse capaz de me focar o suficiente para evitar explodir a mim mesmo junto com ele. Minha mira é ruim quando estou cansado desse jeito."

Alcançamos o final da ponte, e, torci, final do território de Gogoth. Comecei a pôr a garota no chão. Ela era muito grande para ser carregada. Então eu vi um pé descalço balançando, e sangue formando placas escurdas em seu joelho. Suspirei, e comecei a caminhar pela Avenida Norte. Se eu puder descer o longo quarteirão para a próxima ponte, atravessá-la e percorrer o outro quarteirão dentro de meia hora, e ainda poderia encontrar Nick do outro lado.

"Como está sua perna?" perguntei.

Ela deu de ombros, embora housse dor em seu rosto. "Ok, eu acho. Aquela coisa era de verdade?"

"Pode apostar," eu disse.

"Mas ele era...ele não era..."

"Humano," eu disse. "Não, mas que diabos, garota. Um monte de pessoas que eu conheço, não são realmente humanas. Olhe a nossa volta. Bundy, Manson, os outros animais. Aqui mesmo em Chicago, você tem os Vargassis atuando em Little Italy, as gangues Jamaicanas, outros. Animais. O mundo está cheio deles."

A garotou fungou. Olhei para seu rosto. Ela parecia triste, e muito sábia para a sua idade. Meu coração derreteu.

"Eu sei," ela disse. "Meus pais são assim, um pouco. Eles não pensam em mais ninguém, na verdade. Só neles mesmos. Nem mesmo um no outro – exceto no que podem ganhar entre si. Eu sou apenas um brinquedo que deve ficar jogado no armário e arrastado para fora quando as pessoas aparecem, aí eu posso ser mais bonita e mais perfeita do que seus outros brinquedos. No restante do tempo, eu fico no caminho deles."

"Hei, anime-se," eu disse. "Não é de todo ruim, não é?"

Ela olhou para mim, e virou o rosto. "Não vou voltar pra eles," ela disse. "Não me importa quem você seja ou o que você faz. Você não pode me fazer voltar para eles."

"Aí é que você se engana," eu disse. "Não vou te deixar aqui."

"Ouvi você falando com seu amigo," ela disse. "Meus pais estão tentando te sacanear. Por que você ainda está fazendo isso?"

"Tenho outros seis meses para trabalhar para um investigador licenciado antes que eu possa receber minha própria licença. E eu tenho essa coisa estúpida sobre abandonar crianças no meio de grandes e malvadas cidades após escurecer."

"Pelo menos aqui em baixo, ninguém tenta mentir e me dizer que eles se importam, senhor. Eu vi todos aqueles shows da Disney sobre como os pais amam seus filhos. Como se existisse alguma espécie de elo mágico de amor. Mas isso é mentira. Como você e aquele troll." Ela deitou a cabeça no meu ombro, e eu pude sentir o cansaço de seu corpo conforme me abraçava. "Não existe mágica."

Fiquei em silêncio por vários passos, somente a carregando. Foi difícil ouvir aquilo de uma criança. O mundo de uma garota de dez anos devia ser cheio de música, risadas e notas, e bonecas, e sonhos. Não uma realidade cruel, árida e esgotada. Se não existia luz no coração de uma criança, uma garotinha como essa, então qual esperança qualquer um de nós poderia ter?

Alguns passos mais tarde, eu percebi algo que não estava querendo admitir para mim mesmo. Uma silenciosa e calma voz vinha tentando me dizer alguma coisa que eu não estava disposto a ouvir. Eu estava no ramo da magia para tentar ajudar pessoas. Para tentar fazer as coisas melhores. Mas não importa quantos espíritos malignos eu tenha confrontado, não importa quantos pretensos magos negros eu tenha rastreado, sempre tinha mais alguma coisa, pior, esperando no escuro por mim. Não importa quantas crianças perdidas eu encontrasse, sempre existiria dez vezes mais desaparecidas.

Não importa o quanto eu tentasse, quanto lixo eu limpasse, era só uma gota no oceano.

Pensamentos pesados para um cara como eu, cansado e dolorido, meus braços pesavam com o peso da menina.

Luzes piscando me fizeram levantar a cabeça. A boca de um dos becos entre os prédios havia sido lacrada com fita policial e quatro carros, luzes azuis girando, estavam estacionados na rua em volta do beco. Um par de paramédicos estavam retirando uma figura coberta em uma maca para fora do beco. Os flashes das câmeras iluminavam o beco em explosões brancas.

Parei, hesitante.

 

Continua!


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Uma Restauração de Fé - Parte 1/4

 

 

 

Eu lutava para segurar a escandalosa criança enquanto fazia malabarismos para enfiar uma moeda de vinte e cinco centavos dentro do telefone público e esmurrava os botões para ligar para o celular de Nick.

"Investigações Anjo de Retalho", Nick respondeu. Sua voz estava tensa, percebi, ansiosa.

"É o Harry," eu disse, "Relaxa, cara. Achei ela."

"Achou?" Nick perguntou. Ele deixou fugir um longa suspiro de alívio. "Oh, Deus, Harry."

A criança levantou um dos seus sapatos Oxford e deu um coice em minha virília. Ela acertou, forte o suficiente para me fazer pular. Ela parecia como um modelo de criança com seus oito ou nove anos, com suas covinhas e escuras maria chiquinhas – mesmo estando com seu uniforme de escola todo sujo de rua. E que pernas fortes ela tinha.

Segurei a criança com mais severidade e a tirei do chão de novo enquanto ela se contorcia e se balançava. "Ei, fica quieta."

"Me solta, seu magrelo," ela respondeu, me fuzilando com os olhos antes de começar a chutar novamente.

"Ouve só, Harry," Nick disse. "Você tem que deixar a garota ir embora neste exato minuto e sair daí."

"O que?" Perguntei. "Nick, os Astors vão nos pagar vinte e cinco pratas para levar a garota de volta antes das nove da noite."

"Tenho umas notícias ruins, Harry. Eles não vão nos pagar."

Eu vacilei. "Ai.Talvez eu a deixe largue na delegacia mais próxima, então."

"As notícias são ainda piores. Os pais deram queixa, falaram que a garota foi sequestrada. E o Departamento de Polícia de Chicago está enviando duas descrições para toda a cidade. Eles se parecem adivinha com quem?"

"Mickey e Donald?"

"Heh," Nick disse. Ouvi ele manusear sua Bic, e se lamentar. "Como se tivéssemos tanta sorte."

"Acho que é mais vergonhoso para o Senhor e Senhora Podres de Rico vazar que a filha fugiu ao invés de ter sido raptada."

"Diabos. Garota raptada vai dar assunto pra eles conversarem nas festas durante meses. Os faz parecer mais ricos ricos e mais famosos que seus amigos, também. Claro, estaremos presos, mas que diabos, quem se importa?"

"Eles nos procuraram," protestei.

"Não foi dessa forma que eles falaram para a polícia."

"Droga," eu disse.

"Se você for pego com ela, pode ser problema pra gente. Os Astors tem contatos e influências, cara. Larga a menina e volta pra casa. Você esteve lá a noite toda, se perguntarem."

"Não, Nick," eu disse. "Não posso fazer isso."

"Deixa os caras de farda levarem ela pra casa. Isso vai limpar a sua barra, e a minha também."

"Estou na Avenida Norte, e já está escuro. Não vou deixar uma menina de nove anos por aí sozinha."

"Dez," gritou a garota furiosa. "Tenho dez anos, seu idiota insensível!" Ela deu mais alguns chutes, eu meio que me pús fora do caminho de seus pés.

"Ela parece tão bonitinha. Deixa ela ir embora, Harry, e os criminosos que se cuidem."

"Nick."

"Ah, diabos, Harry. Lição de moral de novo?"

Sorri, mas foi apenas superficial, meu estômago se contorcia de raiva. "Veja bem, vamos pensar em algo. Apenas chega aqui e pega a gente."

"O que aconteceu com seu carro?"

"Quebrou nesta tarde."

"De novo? E quanto ao El?"

"Tô duro. Nick, preciso de uma carona. Não posso voltar pro escritório com ela, e nem quero ficar aqui parado numa cabine telefônica me degladiando com a menina. Então vem pra cá e pega a gente."

"Não quero ir preso por que você não consegue acalmar sua consciência, Harry."

"E sobre a sua consciência?" disparei de volta. Nick ficou furioso. Mas no fim das contas, ele não podia deixar a garota sozinha naquela parte da cidade também.

Nick resmungou algo que soou vagamente obsceno, e então disse, "Tá bem, que seja. Mas não posso cruzar o rio tão facilmente, então estarei do outro lado da ponte. Tudo que você tem que fazer é atravessar a ponte com ela e não ser visto. Viaturas policiais na área estão procurando por você. Meia hora. Se você não estiver lá, não vou esperar. Vizinhança barra pesada."

"Tenha fé, cara. Vou estar lá."

Desligamos sem nos despedir.

"Tudo bem, garota," eu disse. "Pare de me chutar e vamos conversar."

"Vai pro inferno," ela gritou. "Me deixe ir antes que eu quebre sua perna."

Recuei com o tom agudo que a voz dela alcançou, e saí de perto do telefone, meio que arrastando e meio que carregando ela comigo, olhando para os lados de modo apreensivo. A última coisa que eu precisava era de um bando de bons cidadãos correndo pra ajudar a menina.

As ruas estavam vazias, a escuridão corria e se amontoava para preencher os espaços deixados pelas luzes quebradas dos postes. Tinha luzes nas janelas, mas ninguém veio em resposta ao grito da menina. Era o tipo de vizinhança onde ninguém nunca via nada.

Ah, Chicago. Impossível não amar as enormes e povoadas cidades Americanas. A vida moderna não é sensacional? Eu poderia ser um psicopata de verdade, ao invés de apenas parecer um, e ninguém teria feito nada.

Isso me deixou meio enjoado. "Olha. Sei que você está com raiva agora, mas acredite em mim, estou fazendo o que é melhor para você."

Ela parou de chutar e me encarou. "Como você sabe o que é melhor para mim?"

"Sou mais velho que você. Mais sábio."

"Então por que você está usando essa capa?"

Olhei para o meu grande guarda-pó preto, com seu manto pesado e longas dobras de lona esvoaçando ao redor da minha constituição magra. "O que tem de errado com minha roupa?"

"Ela fazia parte do figurino de El Dorado," ela retrucou. "Quem você era pra ser, Ichabod Crane ou o Homem Marlboro?"

Resmunguei. "Sou um mago."

Ela me deu aquele olhar de ceticismo que somente crianças que recentemente passaram  pelo triste trauma de descobrir que não existe Papai Noel. (Ironicamente, ele existe – mas ele não pode trabalhar com a mesma escala que estava acostumado a fazer quando todos acreditavam nele. Mais caracteríticas da vida moderna.)

"Você tá me gozando," ela disse.

"Eu te achei, não foi?"

Ela franziu a testa. "Como você me encontrou? Pensei que aquele lugar era perfeito."

Continuei andando em direção à ponte. "E ele teria sido, por mais ou menos mais dez minutos. Então aquela lixeira estaria cheia de ratos procurando por algo para comer."

A expressão da menina ficou palidamente verde. "Ratos?"

Concordei com a cabeça. Com um pouco de sorte, talvez eu pudesse ganhar a confiança da menina. "Ainda bem que sua mãe tinha sua escova de cabelos na bolsa dela. Pude pegar um pouco de cabelo."

"E daí?"

Suspirei. "E daí que eu usei um pouco de taumaturgia e ela me guiou direto para você. Tive que andar a maioria do caminho, mas direto para você."

"Tauma o que?"

Perguntas eram melhores do que chutes, em qualquer hora. Continuei respondendo. Diabos, gosto de responder perguntas sobre mágica. Orgulho profissional, talvez. "Taumaturgia. É mágica ritual. Você desenha conexões simbólicas entre pessoas, lugares, eventos e modelos representativos reais. Então você investe um pouquinho de energia para que algo aconteça na pequena escala, e algo acontece na grande escala também - "

A garota virou a cabeça no segundo em que eu estava distraído sua pergunta e mordeu minha mão.

Gritei algo que provavelmente não deveria ter gritado perto de crianças, e puxei minha mão. A menina caiu no chão, ágil como um macaco, e saiu correndo em direção à ponte. Sacudi minha mão, gritei comigo mesmo e saí correndo atrás dela. Ela era rápida, seus rabos de cavalo flutuavam atrás dela, sapatos e meiões sujos voavam noite adentro.

 

Continua!


publicado por undercover às 18:50
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O Dia Após o Ragnarok - A Queda da Serpente

 

Dispositivo Trindade

 

A morte de Patton em Setembro não fez com que acontecesse embora os viciados histéricos nos porões de Wewelsburg tivessem afirmado que a "Operação Walküre" de Skorzeny havia mudado as coisas, que o general Americano era "a corda das Norns," de alguma forma ligado ao passado e futuro de um modo que outros não eram. Sua queda, eles juravam, sinalizava o novo Crepúsculo. Mas a batalha quase cessou quando Moselle fora avistada, e Montgomery lentamente empurrou a Wehrmacht de volta pelas Ardenas. "Não se preocupe," juraram os homens de da Ahnenerbe, suando anfetaminas e fedendo a extintas ervas colhidas dos pântanos Finlandeses. "A corda dos Norns fora partida. As coisas seriam diferentes."

Montgomery avançou sobre Lübeck, os tanques rugiam mais pertos de Nuremberg, e Zhukov massacrava através do Oder, e o sol de Julho nasceu sobre um Reich humilhado. A Götterdämmerung tocou na Rádio Berlim noite e dia, e a fumaça borrava as estrelas. E então, aconteceu; todo o mundo ouviu o uivo de Garm, e a lua fora obscurecida com sangue. A cabeça de Jörmungandr, a Serpente Midgard, 350 milhas de lado a lado, rasgou a superfície do Mar Árabe e se ergueu alcançando a troposfera. Seu primeiro bote destruiu três combois de tropas e suas escoltas transportadoras, engoliu, em uma mordida, 100 milhas do sul dos Açores. Uma espiral da Serpente agora se esticava através da África de Mogadishu até Marrocos.

Quando a cabeça se levantou novamente, saindo da Baía de Vigo, ela engoliu o U.S.S. Essex e TF 24, e parou para estilhaçar mais algumas centenas de milhares de toneladas de navios. Presidente Truman deu a permissão, e um B-29 solitário partiu da Islândia. Seu alvo original era Berlim, mas Capitão Joseph Westover possuía novas ordens. Ele e a tripulação do Carregamento Estranho, foram perseguir e confrontar a Serpente Midgard com o Dispositivo Trindade, a Bomba Atômica. Em 21 de Julho de 1945, aviões batedores da "Operação John Henry" posicionaram o Carregamento Estranho sobre a Serpente, o avião se encontrava a 20.000 pés sobre Oslo e se movia para sudoeste em 80 nós. Capitão Westover era um piloto virtuoso, capaz de voar com um avião através de algo muito menor do que a pupila os 500 de largura metros de pupila de uma serpente. O dispositivo detonou, rasgando um pedaço do Sol, e direto do céu, o trouxe para baixo, destruindo o cérebro da Serpente em uma torrente de fogo atômico. Westover e sua tripulação morreram instantâneamente. Jörmungandr levou um pouco mais do que isso.

 

Continua...


publicado por undercover às 04:27
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